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A campainha


Ela: Sabia que não poderia continuar com aquilo. O amava mais que tudo, era verdade. Aprendeu a admirá-lo e amá-lo de uma forma que ninguém mais conseguiria. Apenas ela. Mas, por mais que aquilo doesse, por mais que parecesse que algum órgão de seu corpo estivera sido arrancado sem drogas ou algum tipo de anestesia, por mais que ela soubesse que nunca mias encontraria alguém como ele, que fosse capaz de lhe causar as mesmas sensações, as mesmas alegrias, os mesmos prazeres, ela teria que deixá-lo. E o fez. Agora chorava, esperando que as lágrimas pudessem levar consigo sua dor, sua angustia, seu medo de nunca mais encontrá-lo novamente. Ele lhe fazia mal, agia como uma droga. Primeiro vinha o prazer, a felicidade, o esquecimento de todos os problemas. Depois, as consequências, que geralmente lhe arrancavam lágrimas antes de dormir, e arrependimento de tudo o que fizera que lhe causara dor. Mas criara um sentimento tão intenso em relação aos prazeres, às felicidades que ele lhe proporcionava, que as consequências já não importavam mais. Ela o queria de volta. Aqui e agora. A abraçando e dizendo que também a amava. Mas acabou. Tudo que restou foi um coração partido, muitas lágrimas espalhadas pelo travesseiro e as lembranças de vários momentos maravilhosos que jamais voltariam. Um momento depois, a campainha tocou.

Ele: Sabia que havia sido estúpido em deixá-la ir. Sentia-se culpado por não ter dito o que ela quisera ouvir por tanto tempo, mas foi tão covarde em não querer admitir isso nem pra si mesmo que em um segundo seu mundo desabou diante dos seus olhos. Poderia ter mudado isso com apenas uma frase. Simples. Verdadeira, para os dois mundos. Mas não o fez. Percebeu que sentir vergonha dos próprios sentimentos era pura estupidez. Não se pode esconder seus próprios sentimentos de si mesmo. Precisava desabafar, precisava ouvir uma voz que o acalmasse, que o fizesse se sentir seguro, em paz. Porém, afastara a única pessoa capaz de lhe proporcionar isso. Agora chorava, esperando que isso a trouxesse de volta, ou que o fizesse voltar no tempo e desfazer toda aquela bagunça que havia feito. Ela era a única pessoa que ele poderia amar para o resto da vida, sem sombras de dúvida. E ele queria fazer isso: amá-la, de todas as formas possíveis a cada milésimo de segundo de sua vida. Se tivesse uma segunda chance, nunca mais a deixaria ir embora. Iria amá-la, respeitá-la, proporcionar-lhe os maiores prazeres que a vida oferece, só para ver seu sorriso a todo instante. Mas acabou. E ficar sem ela o causava uma dor quase insuportável, perto de preferir a morte a vê-la longe de si. Ele a queria de volta, custasse o que custar. Ele a amava de todas as formas possíveis e queria demonstrar isso. Um momento depois, tocou a campainha.

1 comentários:

  1. que texto lindo, amei hahaha, se eu viciar na musica a cula vai ser sua <3

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